quinta-feira, 6 de junho de 2013

Mais Uma Atriz Assume Homossexualidade

Atriz de “Glee” assume ser lésbica

Reprodução

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Que Faria se...

E se seu filho fosse gay?

E seu filho fosse gay, o que você faria? (Foto: Thinkstock)

Sério, gente, vocês não têm noção de como esses números são importantes. Mais do que apontar a diminuição do preconceito contra a população LGBT, o que já seria uma grande notícia a ser comemorada, a pesquisa mostra que, em todo o Brasil, gays e lésbicas correm menos risco de sofrerem agressões físicas e psicológicas no ambiente doméstico ou serem expulsos de casa por simplesmente saírem do armário. Vocês conseguem perceber o avanço que isso representa?
Assumir a homossexualidade para a família é um momento para lá de delicado. Mais do que o medo do preconceito e da violência, nos aterroriza a possibilidade de perder o afeto de algumas das pessoas mais importantes de nossas vidas: nossos pais, irmãos e parentes mais próximos. Não sei se vocês conseguem calcular quão angustiante essa situação pode ser. Imaginem correr o risco de ser afastado do convívio das pessoas que você ama, ser punido por algo que faz parte de você, mas que você não escolheu, como a cor dos seus olhos, o talento para os esportes ou inclinação artística. Agora misture tudo isso com a confusão emocional característica da adolescência. Tenso, né?
Eu mesmo demorei anos para abrir o jogo lá em casa. Com exceção da minha irmã mais velha, só no ano passado minha família ficou sabendo que eu gostava de meninos, oito anos depois de eu ficar com um cara pela primeira vez. E olha que minha mãe é uma mulher moderna e esclarecida, dessas que saem para dançar com as amigas, discutem política na mesa de jantar e não têm medo de mudar de ideia com relação a questões polêmicas diante de bons argumentos. Por que eu demorei tanto? Porque eu não sabia como ela reagiria. Eu sou o primeiro gay assumido da minha família e a falta de referência me deixava inseguro sobre como a situação poderia se desenrolar. Só tive coragem para me abrir depois que fui morar sozinho.
Meu caso está longe de ser trágico ou triste. Olhando para trás, tenho quase certeza que não havia motivos para temer uma reação negativa da minha mãe. Ela levaria um susto, sem dúvida, e precisaria de um tempo para se acostumar com a ideia de que seria apresentada a um genro e não a uma nora em um almoço de domingo qualquer. Nada além disso. Ainda assim demorei quase dez anos para ser honesto com ela.
Por isso o resultado da pesquisa feita pelo Instituto Data Popular é tão importante. Porque mostra a boa parte dos jovens gays e lésbicas de todo o País que não há o que temer, que eles vivem em lares inclusivos onde sua sexualidade é respeitada e a diversidade é vista com bons olhos. Lares onde eles são apenas filhos, com demandas e receios de filhos, com sonhos e anseios de filhos, independentemente do gênero da pessoa por quem se apaixonem. E isso, meus caros, é tudo o que podemos querer.
Engana-se quem pensa que queremos privilégios ou direitos que extrapolam a esfera do sensato. Engana-se quem pensa que queremos chamar atenção, chocar ou agredir quem quer que seja. Queremos apenas existir de forma plena. Queremos andar de mãos dadas na rua e ficar abraçados na fila do cinema. Queremos levar o namorado para dormir em casa e dormirmos juntos ou separados, de acordo com o que ditam as regras da casa, assim como nossos irmãos fazem.

Penso que cada vez mais gente começa a entender o que Boaventura de Souza Santos quis dizer quando afirmou que temos o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e temos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Fico feliz em saber que uma parcela importante dessa tomada de consciência está acontecendo dentro das casas, no meio das famílias, de dentro para forma, como toda mudança consistente deve acontecer. Sou um otimista incorrigível. Escolho acreditar, todos os dias, que os bons são maioria. Pesquisas como essa mostram que há grandes chances de eu estar certo. Ainda bem.

A BÍBLIA E A HOMOSSEXUALIDADE



Na manhã deste último domingo eu estava na Escola Bíblica Dominical e a lição falava sobre a família e a sexualidade, um dos assuntos foi sobre o homossexualismo. Claro que os professores falaram sobre várias condenando tal prática ou vivência, eu porém, fiquei refletindo muito sobre isso e comecei a me questionar com Deus.
Sei que sou um homem que ama servir a Cristo, fazer a sua vontade, buscá-lo intensamente, cantar para ele, realizar sua obra na igreja, enfim, sou um homem que tem muita crença e fé em Deus, isso em mim não é fanatismo ou persuasão dos “crentes”. Eu sirvo e sigo a Deus por opção, por saber que ele me amou primeiro a ponto de dar o seu único filho (Jesus) para morrer em meu lugar, é o simples fato de reconhecer sua grandeza e que diante dele eu não sou nada e que preciso dele em minha vida.
Outro ponto que também há em minha vida e que não tenho como negar (por mais que disfarce). Eu sinto atração por homens, mas pergunto sempre a Deus por que se isso é tão errado aos seus olhos, ele permitiu que acontecesse comigo, não me sinto um cara devasso, que goste de homens por descaração como já ouvi muita gente falar ao se referir aos gays. Sei que se optar por um, terei de esquecer o outro, e com certeza não quero me esquecer de Deus e nem do que Ele tem feito por mim. Também não quero viver uma vida dupla, de mentiras porque isso me deixa angustiado.
Quando as pessoas dizem que a opção sexual é ser gay, eu digo que, na verdade não sei bem se o termo “opção sexual” é a mais adequada porque ninguém escolhe isso, acredito que mesmo as pessoas que se despertaram para a vida homossexual depois de anos vivendo como hétero, ninguém escolhe a vergonha, a humilhação, a vexação, ninguém escolhe andar na rua com alguém que ama se poder abraçar, beijar e andar de mãos dadas; ninguém escolhe ser surrado, espancado e assassinado por ser gay, então, se ser gay é opção, nem mesmo o pior dos seres humanos iriam querer escolher isso.

Hoje me ocorreu isso, esse pensamento que me ronda e me persegue, que me deixa sem saber para onde ir ou o que fazer. Sabe, na verdade eu tenho medo de fazer uma escolha e me arrepender, ou então, de escolher um caminho e depois acabar me envolvendo em outro e machucando, decepcionando e fazendo as pessoas que gosto sofrerem. Não sei, a única certeza que tenho é que Deus vai esclarecer todas as coisas em minha vida, só ele e somente ele poderá me dar a direção...

terça-feira, 4 de junho de 2013

DJ Excluído da Parada Gay de Santo André

DJ com tatuagens polêmicas é cortado de Parada Gay


Divulgação do evento com foto do DJ (Reprodução)
A assessoria de Enrico Tank afirma que ele tem longo histórico como DJ de casas voltadas ao público homossexual e que as tatuagens foram feitas porque ele é "apaixonado por história de guerra". Parte das tatuagens, segundo a assessoria, é antiga e foi coberta por outras imagens.
Nas fotos, divulgadas pelo grupo anti-intolerância Rash-SP, Tank tem uma tatuagem do ditador fascista italiano, Benito Mussolini, e o número 88, representação da oitava letra do alfabeto, usado para simbolizar a saudação nazista "Heil Hitler". Também há símbolos usados pela organização racista white power e a imagem da bandeira confederada americana (adotada por grupos rascistas).

A direção da parada de Santo André encaminhou o caso para a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e para a Secretaria da Justiça. "O material de divulgação dele também foi retirado do nosso site", disse Marcelo Gil, da ONG ABCD'S (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), que organiza a parada. A assessoria da parada de São Paulo ficou sabendo do assunto pela reportagem e ainda não se posicionou.

A Volta do Anjinho

Amante de Félix, “Anjinho” agrada, vai voltar e beijo gay pode rolar em “Amor à Vida”

                         Reprodução/ Instagram



E, como o personagem de Mateus Solano tem uma aceitação muito boa do público, as apostas dentro da emissora são de que o inédito e comentado primeiro beijo gay das novelas pode acabar sendo protagonizado pelos dois.

"Eu mal apareci nas cenas com o Mateus, foi mais um mistério, uma brincadeira, e, mesmo assim, teve uma repercussão enorme. Estou sempre ouvindo piadinhas, sendo chamado de 'anjinho', principalmente pelas mulheres, independentemente de ter feito personagem gay", disse Lucas ao site Ego.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

17º Parada do Orgulho Gay de São Paulo II


Chuva, protestos e música marcam a Parada Gay de 2013

Daniela Mercury e manifestações contra homofobia marcaram evento. Ao contrário da Virada Cultural, parada teve poucas ocorrências policiais.


Público brinca sob bandeira gigante na Avenida Paulista (Foto: Fernando Donasci/UOL/Folhapress)

Chuva, protestos contra o preconceito e muita música marcaram a 17ª edição da Parada Gay de São Paulo, ocorrida neste domingo (2). O tempo nublado e chuvoso não desanimou o público, que marcou presença desde a concentração, na Avenida Paulista, próximo ao Masp, até o fim, na região da Praça da República, no Centro. Segundo a organização, 3 milhões de pessoas participaram do evento. Até as 22h, a PM não tinha um número fechado de quantos estiveram no evento.
Ao contrário do que ocorreu na última Virada Cultural, que foi marcada pela violência, a parada teve poucos casos de polícia. Segundo balanço das 20h da Polícia Militar, das 2.179 pessoas abordadas, apenas duas foram presas em flagrante: uma por tentativa de furto de uma câmera e outra por usar uniforme oficial do Corpo de Bombeiros sem pertencer à corporação. Seis foram detidas por urinar em via pública.
O clima de paz era nítido desde horas antes do início da festa. Aos poucos a Avenida Paulista ganhava os tons do arco-íris, símbolo do movimento gay. Bandeiras coloridas apareciam nas mãos de drag queens com perucas e roupas extravagantes, de travestis com decotes exagerados, de casais gays e até de casais heteros com crianças.
Guarda-chuvas e capas eram itens fundamentais, principalmente para quem usava fantasia ou maquiagem carregada. Mas houve quem não se importasse com a precipitação. "A maquiagem vai ficar mais desconstruída ainda. É essa a ideia", disse o maquiador Maurício do Vale. Outros se protegeram sob uma bandeira gigante do arco-íris.
Público se diverte ao lado da bandeira gigante (Foto: J. Duran Machfee/Futura Press/Estadão Conteúdo)

A maioria, porém, torcia que a chuva passasse. Um “sósia” do Papa perdeu a conta de quantos participantes o abordaram para que ele pedisse a São Pedro que encerrasse a chuva. Coincidência ou não, o tempo melhorou no início da tarde. "Vamos aplaudir São Pedro que parou a chuva para a gente", disse um animador no primeiro trio.
Prevista para começar ao meio-dia, a parada teve início com mais de uma hora de atraso. No primeiro trio, o prefeito Fernando Haddad (PT) discursou contra o preconceito. "Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra toda forma de intolerância. Viva São Paulo na luta pela liberdade", disse.
Querida pelo público gay, a ministra da Cultura e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) subiu no caminhão e, ao lado de Haddad e do deputado federal Jean Willys, disse ao microfone: "Manda bala, gente! Vamos começar essa parada". Ela discursou sobre os direitos dos homossexuais, que devem ser iguais aos dos heterossexuais, e foi aclamada pelo público.
Apesar de a chuva voltar a cair, com alguns períodos de tregua, o público não desanimou e caiu na dança. Cada trio tocava um tipo de som. Em alguns imperava a música eletrônica, outros tocavam Lady Gaga, mais adiante havia um caminhão de axé.
                Daniela Mercury e sua namorada na Parada Gay
                   (Foto: Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)
Daniela

O trio mais requisitado, porém, foi o da cantora baiana Daniela Mercury. Já na Rua da Consolação, ela começou a cantar alguns de seus sucessos, como "O Canto da Cidade" e “Ilê Pérola Negra”.  Por quase duas horas ela agitou o público, inclusive cantando marchinhas de carnaval. Apesar da chuva, o público não se intimidou e seguiu seu trio.

No meio da apresentação, Daniela beijou a namorada, sendo ovacionada pelo público. A cantora recentemente se assumiu homossexual e, desde então, tornou-se crítica contumaz da homofobia. "A Constituição aceita todo mundo do jeito que é", disse.
Antes de cantar "Qualquer maneira de amor vale a pena", Daniela contou ao público que gravou a música, de autoria de Milton Nascimento, coincidentemente quando conheceu sua namorada. "Feliciano, qualquer maneira de amor vale a pena", cantou, em referência ao deputado Marco Feliciano (PSC). Ligado à ala evangélica da Câmara, o polêmico presidente da Comissão de Direitos Humanos é considerado homofóbico por entidades ligadas aos gays.
Protestos
Protesto contra Marco Feliciano (Foto: Flavio Moraes/G1)
Feliciano foi uma das figuras mais citadas na parada. Além das críticas de Daniela, o deputado foi citado em um trio elétrico. “[A Comissão de] Direitos Humanos não é lugar de homofóbico e racista. Fora Feliciano. Não nos representa”, dizia banner fixado na lateral do último caminhão.
Ele também foi lembrado em cartazes levados pelo público. Um deles dizia: “Beijos, Feliciano. Agora eu posso casar!”, em referência à aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Por volta das 18h30 o último trio chegou à Praça Roosevelt, perto da Rua da Consolação, onde o público se reuniu. De lá, os participantes seguiram para a Praça da República.
Apresentações
Fazia oito anos que a parada não contava com shows de encerramento, segundo a organização. Neste ano, duas apresentações foram feitas em palco montado na Praça da República, perto da Rua 24 de Maio, no Centro.

A primeira a subir no palco foi a baiana Mariene de Castro, que cantou clássicos de Clara Nunes. “A parada é um dia em que se comemora o amor e a liberdade”, disse, logo no início de sua apresentação. “É um momento importante para essa luta. Respeito é bom e todo mundo gosta. Isso vem de casa”, acrescentou.
A parada terminou com apresentação de Ellen Oléria. Vencedora do The Voice Brasil e lésbica assumida, ela subiu no palco e, no início do show, beijou sua namorada. Antes de encerrar o show, ela agradeceu os fãs e disse: "O amor venceu a guerra".

17º Parada do Orgulho Gay de São Paulo I

Parada da diversidade musical



O domingo foi um dia de sonho realizado para quem vive em São Paulo e é apaixonado pelas inúmeras sonoridades musicais do Brasil. Já são 17 edições de parada da diversidade sexual na cidade - é até maluco de pensar, mas existe uma geração inteira que só conhece o mundo com parada gay.

Nesses 17 anos, já aconteceu um pouco de tudo nesse manifesto coletivo em progresso e movimento. Mas uma das tônicas tem sido sempre o predomínio da música eletrônica tocada por DJs, frequentemente extraída do repertório pop mais raso e aguado da indústria fonográfica norte-americana. No mundo gay se fala em música "bate-cabelo", e lá se vão quase duas décadas em que a parada se deixou, em grande medida, escravizar por aquele formato modular e cada vez mais anacrônico.

O ano de 2013 ficará marcado como um ponto fora da curva, na menor das hipóteses, ou como instante de uma mudança importante de paradigma, para quem quiser sonhar mais alto. Andando pela parada, eu via carros de "bate-cabelo" meio atirados às moscas e me perguntava: será que neste ano a chuva espantou os libertários das ruas paulistanas?

Não se tratava disso, e fui decifrar o enigma assim que me aproximei do terceiro carro de som, o trio elétrico de Daniela Mercury, e passei a acompanhá-lo aqui do chão. A sensação era de que estava TODO MUNDO ali. Lotação completa, total, esgotada.


Há nisso um efeito extramusical, sabemos: a população gay está em lua-de-mel com Daniela, desde que ela notificou publicamente ao Brasil seu casamento com outra mulher. Motivações à parte, era uma cena a que nunca imaginei assistir nesta cidade tão dura: São Paulo entregue de corpo e alma à axé music baiana e ao cardápio variado de MPB que Daniela canta hoje em dia.

Houve quem reclamasse: o governo baiano patrocinou o trio da cantora e está, portanto, jogando dinheiro do contribuinte no lixo. A mim parece um pensamento tacanho de quem não acredita que uma das missões do poder público seja alimentar a população de cultura, arte, diversão, lazer, descanso, felicidade. Mas deixemos esse lado polêmico da questão de lado, por ora.

Vendo a multidão sacudir ensandecida ao som de "O Canto da Cidade" (1992), me lembrei imediatamente de 13 anos atrás, quando fui convidado, como repórter da Folha de São Paulo, a subir no trio elétrico de Daniela no carnaval de Salvador. Com a axé mais ou menos desgastada, ela tentava se modernizar inserindo música eletrônica no carnaval baiano. Era ousado, mas não soava, digamos, orgânico.

O momento protagonizado desta vez pela potente e imponente cantora de multidões carnavalescas é simetricamente inverso àquele de 2000: sendo apenas quem ela é, sem artifícios mdernosos, Daniela arrastou consigo toda uma população habitualmente identificada com um suposto cosmopolitismo que só fala inglês e com o desprezo (quando não ódio explícito) às brasilidades musicais. "A cor dessa cidade sou eu/ o canto dessa cidade é meu" de repente, não dizia respeito à africaníssima Salvador, mas sim à europeizadíssima São Paulo.

Daniela, que já havia rompido um enorme tabu menos de dois meses atrás, acaba de romper mais um: é mentira que São Paulo e o Brasil sejam irremediavelmente divorciados em termos culturais e musicais. Aliás, acaba de romper mais dois tabus: parada paulistana de diversidade sexual não é só "bate-cabelo" robotizado e pode, sim, ser lugar de show, de trio elétrico e de música ao vivo.

Lembrei, emocionado e choroso, que há pouco tempo voltei a entrevistá-la (por telefone) após 13 anos, e Daniela manifestou, sonhadora (ou será que isto já estava sendo arquitetado?), o desejo de quem sabe um dia liderar, à maneira da parada gay, uma "parada nordestina" em São Paulo, a maior capital nordestina do planeta fora do Nordeste.

Não sei se ela planejou isso e nem se se deu conta disto, mas foi justamente o que Daniela fez na parada gay de 2013. "Tem preto aí?", provocou, num momento em que criticava a conservação de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, mesmo depois de ele, nas palavras dela, tanto ter "esculachado" os pretos do Brasil. E, sim, a parada, democrática como só ela, estava lotada de pretos. Parada gay, parada baiana, parada nordestina, parada preta: nesse evento São Paulo se reencontra consigo como ela é, não como a mídia e a maioria de nós costumamos fingir o tempo todo que ela fosse.


À noite, no encerramento, na praça da República, a baiana Mariene de Castro e a brasiliense Ellen Oléria fizeram shows de samba, MPB, rock, black music brasileira etc. Negra, grande e genial artista, Ellen estava sisuda, fechada, aparentemente receosa de permitir que os paulistanos (e turistas) se apaixonassem por ela. Mas não deixou de se colocar com a pureza e a simplicidade que "nine out of ten music stars" evitam desesperadamente ainda hoje em 2013: "É uma alegria, como boa sapatão que sou, dividir este tempo com vocês".

De volta ao começo, o domingo foi de sonhos realizados para os libertários e para os que acreditam na malfadada MPB como recanto sagrado de expressão de liberdades. Prestes a completar maioridade, a parada gay é gigantesca e importante não porque é gay (ou lésbica ou trans ou bi ou hétero ou assexuada): é importante e gigantesca porque é um espaço único para a expressão de TODAS e quaisquer sexualidades, singularidades, identidades, liberdades.

Daniela Mercury tornou-se de novo importantíssima não só porque é uma excelente artista, mas porque agregou a esse fato a atitude de vir a público não para impor uma identidade qualquer, mas simplesmente para dizer: é meu direito inalienável ser quem eu sou e quem eu queira ser, como é meu direito inalienável, talvez ainda mais importante, poder dizer isso para vocês com todas as letras.

Eu, de meu canto feliz e choramingoso, segui sonhando com a parada de diversidade sexual (e humana, e cultural, e musical) dos meus sonhos ainda não realizados: um ou vários carros para os DJs, mas também muita música AO VIVO em trios elétricos de axé, de samba, rap, MPB, funk carioca, rock'n'roll, brega, tecnobrega, forró, sertanejo, black music, samba-rock etc. etc. etc. Afinal, como poderíamos ser individual/sexualmente livres, no duro, se não fôssemos também musical/culturalmente livres, e vice-versa?

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